![]() |
| A pesquisadora Iva Melo, Gildo e o casal Heleno e Conceição |
Agricultores e agricultoras do estado de Sergipe
integram desde 2013 o projeto de pesquisa, Sistemas
Agrícolas Familiares Resiliêntes a Eventos Ambientais Extremos no Contexto do
Semiárido, do Instituto Nacional do Semiárido (Insa/MCTI), em parceria com
a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil).
Um dos objetivos desse trabalho é identificar a
capacidade de resiliência dos agroecossistemas a partir da introdução das
tecnologias de convivência com o semiárido.
Em nível de Semiárido Brasileiro a pesquisa vem
sendo realizada com 100 famílias, distribuídas em 10 territórios. Sertão do São
Francisco (BA), Ibiapaba (CE), Alto Rio Pardo (MG), Cariri/Seridó e Borborema
(PB), Sertão do Araripe (PE), Vale do Guaribas (PI), Sertão do Apodi (RN), Alto
Sertão (SE) e Médio Sertão (AL).
Em Sergipe, ela envolve 10 famílias, distribuídas em
04 comunidades: Lagoa da Volta, Linda Flor, Lagoa do Mato e Serra da Piedade,
todas localizadas no município de Porto da Folha.
Em cada estado, o projeto envolve a participação de
agricultores experimentadores, entidades e parceiros locais, no caso de Sergipe
a instituição parceira é o Centro Dom Brandão de Castro, CDJBC.
Constituído
por várias etapas, a primeira foi a formação dos pesquisadores que atuariam nos
territórios, a segunda dedicou-se, aos estudos de casos a partir da construção
da linha de tempo dos agroecosistemas, tendo como marco inicial,o período em que
a família foi constituída. Foi nesse momento também que as famílias fizeram a
partir do conhecimento de cada uma, o desenho de seus agroecosistemas.
A pesquisa encontra-se, portanto, na sua terceira
etapa: analise econômica, que compreende um levantamento anual da produção e
consumo de cada subsistema, envolvendo produtos e insumos, visando identificar
a renda monetária e não monetária do agroecosistema.
Das 10 famílias que formam o grupo pesquisado em
Sergipe, 04 já estão concluindo a terceira etapa do processo.
A primeira analise dessa pesquisa foi apresentada no
Seminário Internacional Construção da resiliência
agroecológica em Regiões Semiárida. Das 100 famílias envolvidas na pesquisa
04 foram selecionadas para serem apresentadas. Dentre estas uma de Sergipe. A experiência
do agroecosistema, Sitio Verde, em Lagoa da Volta, de Dona Aparecida Silva e Seu
Claudionor.
Para Gildo, membro do CDJBC e ex-coordenador da ASA
–SE, a pesquisa é um avanço e de suma importância para o Semiárido. Uma vez que
ao final fornecerá elementos que possibilita uma maior visibilidade às praticas
produtivas de homens e mulheres da região, sob a ótica da agricultura familiar
sustentável. Ele ainda destaca que as relações gênero que permeiam a pesquisa
também é algo bastante interessante.
Seu Heleno e dona Conceição, da Sitio Imbuzeiro,
comunidade Linda flor, é uma das famílias pesquisadas. Para Seu Heleno a
pesquisa ganha significado pela possibilidade de apontar políticas públicas
necessárias ao desenvolvimento das comunidades rurais. Eles acreditam que se os
dados pesquisados virarem de fato documentos para o governo, pode significar um
grande avanço para as famílias.
Nas palavras de Iva Melo, pesquisadora bolsista no
Estado: A pesquisa ajuda a compreender como os agricultores/as vão
transformando sua existência a partir de tecnologias de Convivência com o
Semiárido, concatenadas com políticas públicas adequadas ao desenvolvimento do
campo. De alguma forma, para quem se envolve no processo de pesquisa, é
gratificante perceber como as pequenas iniciativas de organização, mobilização
e luta vão modificando cenários de dificuldades pelas perspectivas de vida
melhor.
Os desafios existem, a posse da terra é o principal
deles, mas, a partir da troca de experiência, das inovações produtivas e da
inserção de tecnologias para o armazenamento de água, criação e produção de
alimentos as famílias vem conseguindo produzir sua existência de forma mais
diversa e consequentemente mais sustentável.
![]() |
| Entrega de cesta metodológica do INSA |
No processo de pesquisa não se apresenta grandes
dificuldades as famílias geralmente abrem sua casa e contam com alegria todo o
processo de transformação dos agroecosistemas com precisão de dados e fatos
históricos.


Nenhum comentário:
Postar um comentário