Tenho
acompanhado as indignações de alguns brasileiros nestes últimos dias. Talvez a
mais marcante tenha sido a saída precoce de Neymar camisa 10 da seleção
brasileira, ocasionada por uma entrada dura de Zuniga, lateral da Colômbia, no ultimo
dia 05. Fato amplamente debatido e analisado pela imprensa.
Não
sei se afloradas por essa ampla análise e suposições, a revolta, de alguns, chegou
mesmo à beira da insanidade ao invadir a rede social da esposa do jogador
colombiano e ameaçar a filha do moço de estupro. Sem contar as inúmeras
manifestações de racismo ali postadas também.
Depois
veio a atuação vexatória da nossa seleção frente à Alemanha, que nos rendeu um
triste 7 X 1 a favor dos alemães. E aí, tome mais análises, clamores lágrimas e
lamentações.
Ontem,
pra fechar com chave de ouro, nossa derrota para Holanda motivou análises e
lamentos ainda mais profundos.
Nesse
ínterim, um viaduto em obras na Avenida Pedro 1º na região da Pampulha, em Belo
Horizonte caiu, levando a óbito Hanna Cristina dos Santos, motorista de
micro-ônibus de 26 anos, e Charlys Frederico Moreira do Nascimento, de 25 anos,
e outras 22 vítimas ficaram feridas na queda da estrutura.
No
entanto não houve por parte da grande mídia analises tão minuciosas sobre esse
fato, parecendo quase natural, que viadutos novos caiam matando e ferindo
pessoas.
Nos
casos ligados aos assuntos futebolísticos tivemos: mesas redondas, câmeras
especiais e mais de mil olhares para o mesmo fato, que, para ser sincera, nem
havia muito que ser analisado, não é mesmo?
No
caso do viaduto, há que se perguntar por que esse fato foi tão pouco comentado
a ponto de menos de uma semana do acontecido nem aparecer na mídia, ao passo
que a costela do Neymar continua rendendo?
Precisamos
nos questionar. Não é estranho que a mídia tenha dado tanta ênfase ao caso
Neymar e pouca ao episódio do viaduto? Não é suspeito que não tenha havido por
parte da imprensa análises tão minuciosas buscando apresentar um conjunto de
fatos que levaram a esse desfecho trágico? A quem interessa esse silêncio, ou
falta de esclarecimentos?
Outro
fato explodido recentemente, e do mesmo modo pouco analisado pela mídia é o
genocídio na faixa de Gaza, onde, apenas no primeiro dia deste novo massacre
(julho de 2014), foram realizados 273 ataques aéreos (cerca de 11 por hora) em
uma área com 40 km de comprimento por 12 km de largura povoada por 1,7 milhão
de pessoas (uma das áreas mais densamente povoadas no mundo) e por isso as mortes em suas mais diversas expressões são
incalculáveis. Embora este fato não esteja diretamente ligado ao Brasil, não
podemos considera-lo menos grave, e por tanto, nos incomodarmos com maior intensidade do que com a costela quebrada do
Neymar, já que se trata de vidas.
Talvez
como exercício fosse bom perguntar-se: o que de fato o Brasil perdeu com essa
L3 quebrada do Neymar? E eu digo que nada. Já com a queda do viaduto, além das
vidas, perdemos alguns milhões, já que ao final ele foi totalmente demolido.
Mas, sem sabermos até agora quem é de fato o responsável e quem vai arcar com o
prejuízo, mas ouso arriscar que será o Povo Brasileiro.
No
caso da faixa de Gaza, uma conta ainda em aberto, mas pelo número de mortos até
agora, suponho que não caberá numa cifra.
Ante
isso me preocupa essa falta de democracia nos meios de comunicação. Assusta-me
a compra barata, por muitos, de um discurso raso pregado pela grande mídia.
As
redes sociais têm contribuído um pouco com a descentralização das informações,
no entanto a maioria só compartilha coisas que nem sabem ao certo o que
efetivamente querem dizer nesse contexto da comunicação, informação. No atual
contexto poucos comunicam e muitos apenas repetem as informações sem questioná-las. É sempre
bom lembrar que a ignorância das massas é a principal força dos poderosos.
Daniela
Bento – Comunicadora Popular da ASA – Poço Redondo - SE
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