segunda-feira, 14 de julho de 2014

No intervalo do Jornal Nacional

Tenho acompanhado as indignações de alguns brasileiros nestes últimos dias. Talvez a mais marcante tenha sido a saída precoce de Neymar camisa 10 da seleção brasileira, ocasionada por uma entrada dura de Zuniga, lateral da Colômbia, no ultimo dia 05. Fato amplamente debatido e analisado pela imprensa.

Não sei se afloradas por essa ampla análise e suposições, a revolta, de alguns, chegou mesmo à beira da insanidade ao invadir a rede social da esposa do jogador colombiano e ameaçar a filha do moço de estupro. Sem contar as inúmeras manifestações de racismo ali postadas também.
Depois veio a atuação vexatória da nossa seleção frente à Alemanha, que nos rendeu um triste 7 X 1 a favor dos alemães. E aí, tome mais análises, clamores lágrimas e lamentações.

Ontem, pra fechar com chave de ouro, nossa derrota para Holanda motivou análises e lamentos ainda mais profundos.  

Nesse ínterim, um viaduto em obras na Avenida Pedro 1º na região da Pampulha, em Belo Horizonte caiu, levando a óbito Hanna Cristina dos Santos, motorista de micro-ônibus de 26 anos, e Charlys Frederico Moreira do Nascimento, de 25 anos, e outras 22 vítimas ficaram feridas na queda da estrutura.
No entanto não houve por parte da grande mídia analises tão minuciosas sobre esse fato, parecendo quase natural, que viadutos novos caiam matando e ferindo pessoas.

Nos casos ligados aos assuntos futebolísticos tivemos: mesas redondas, câmeras especiais e mais de mil olhares para o mesmo fato, que, para ser sincera, nem havia muito que ser analisado, não é mesmo?
No caso do viaduto, há que se perguntar por que esse fato foi tão pouco comentado a ponto de menos de uma semana do acontecido nem aparecer na mídia, ao passo que a costela do Neymar continua rendendo?
Precisamos nos questionar. Não é estranho que a mídia tenha dado tanta ênfase ao caso Neymar e pouca ao episódio do viaduto? Não é suspeito que não tenha havido por parte da imprensa análises tão minuciosas buscando apresentar um conjunto de fatos que levaram a esse desfecho trágico? A quem interessa esse silêncio, ou falta de esclarecimentos?

Outro fato explodido recentemente, e do mesmo modo pouco analisado pela mídia é o genocídio na faixa de Gaza, onde, apenas no primeiro dia deste novo massacre (julho de 2014), foram realizados 273 ataques aéreos (cerca de 11 por hora) em uma área com 40 km de comprimento por 12 km de largura povoada por 1,7 milhão de pessoas (uma das áreas mais densamente povoadas no mundo) e por isso  as mortes em suas mais diversas expressões são incalculáveis. Embora este fato não esteja diretamente ligado ao Brasil, não podemos considera-lo menos grave, e por tanto, nos incomodarmos com maior  intensidade do que com a costela quebrada do Neymar, já que se trata de vidas.

Talvez como exercício fosse bom perguntar-se: o que de fato o Brasil perdeu com essa L3 quebrada do Neymar? E eu digo que nada. Já com a queda do viaduto, além das vidas, perdemos alguns milhões, já que ao final ele foi totalmente demolido. Mas, sem sabermos até agora quem é de fato o responsável e quem vai arcar com o prejuízo, mas ouso arriscar que será o Povo Brasileiro.

No caso da faixa de Gaza, uma conta ainda em aberto, mas pelo número de mortos até agora, suponho que não caberá numa cifra.
Ante isso me preocupa essa falta de democracia nos meios de comunicação. Assusta-me a compra barata, por muitos, de um discurso raso pregado pela grande mídia.

As redes sociais têm contribuído um pouco com a descentralização das informações, no entanto a maioria só compartilha coisas que nem sabem ao certo o que efetivamente querem dizer nesse contexto da comunicação, informação. No atual contexto poucos comunicam e muitos apenas repetem  as informações sem questioná-las. É sempre bom lembrar que a ignorância das massas é a principal força dos poderosos.

Daniela Bento – Comunicadora Popular da ASA – Poço Redondo - SE

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