sexta-feira, 28 de setembro de 2012

PRODUÇÃO DE HORTALIÇAS NO SERTÃO SERGIPANO: TÉCNICAS DE MANEJO SÃO ALTERNATIVAS À ESCASSEZ DE RECURSOS HÍDRICOS

A despeito de toda falta de chuvas e agravamento das questões hídricas no Sertão Sergipano, os agricultores aproveitam conhecimentos em técnicas de manejo de solo para dar continuidade à produção de hortaliças em seus quintais produtivos e Sistemas PAIS. Em Cachoeirinha I – Gararu-Se, Seu Humberto, agricultor familiar assentado, diversifica o seu sistema e realiza um conjunto de práticas agroecológicas que contribuem para produzir com um consumo menor de água e garantir, desde a segurança alimentar até a comercialização na tradicional feira semanal de N. Sra. da Glória.

Cachoeirinha I está situado num alto, onde os ventos são mais presentes e mais intensos, por isso, o agricultor desenvolve algumas técnicas de contenção do vento, como por exemplo: a utilização de cercas vivas integradas ao sistema. Estas estão dispostas nas mais diversas formas: com frutíferas, leguminosas como a crotalaria, tubérculos de porte médio, como a macaxeira além da preservação de espécies nativas como o angico e a gitirana, esse último, uma trepadeira que, fixada na cerca de arame farpado e no galinheiro circular forma uma cortina de proteção às culturas e aos animais, contra vento, incidência do sol e/ou frio excessivo.

Além da cerca viva a produção com composto, feito na própria propriedade, contribui para manutenção da fertilidade do solo, além de acumular água. Em 2011 o agricultor, dentro do processo de Formação pela Experimentação na Produção Agroecológica de Hortaliças e Frutas (realizado pela Sociedade de Apóio Sócio Ambientalista e Cultural – SASAC, em parceria com PDHC), fez todo um trabalho de monitoramento de aguação, com tensiômetro modular e hoje tem capacidade de trabalhar uma irrigação mais equilibrada, além disso, toda sua aguação é feita por gotejamento (proposta do Sistema PAIS). Há ainda, cobertura verde e seca, áreas de pousio, rotação de culturas e toda erva espontânea retirada do sistema é empilhada para decomposição e volta a compor a nutrição da terra.

Seguindo mais adiante, onde os problemas hídricos são ainda mais terríveis deparamo-nos com o sistema de Gerusa e de Dona Lenice, na Cachoeirinha II, as mesmas recolhem água de chuva, Gerusa na sua caixa de 5.000 litros e D. Lenice tem o que seria considerado pelas tecnologias sociais como um barreiro de enxurrada de onde retiram água para os seus sistemas. Mantém uma produção diversificada, na maioria dos casos consorciada (utilizando-se do conhecimento sobre companheirismo e antagonismo entre as espécies). A integração do Sistema com a criação de aves, minhocário e o equilíbrio entre as plantas espontâneas e cultivadas, também é observável e vem fazendo com que a produção para consumo e venda no próprio povoado, atravesse os períodos mais escassos de chuva e a pouca água disponível para consumo e uso produtivo na região.

Para diminuir a incidência de sol o grupo utiliza-se sempre do sombrite, em decorrência da pouca variedade de espécies propícias à cobertura, com coqueiros, bananeiras, etc. nessa comunidade.

A produção, em ambos os Assentamentos, é farta e dentro destes sistemas havia um planejamento produtivo bastante interessante. Encontra-se canteiros de: coentro, cebolinha, couve, repolho, alface, cenoura, tomate, quiabo, pimentão, pimenta e macaxeira; além de: acerola, mamoeiro, maracujazeiro, possuem ainda um cultivo de leguminosa como: gliricídia, feijão de porco, feijão de corda e a crotalaria, consideradas importantes dentro do sistema, tanto para adubação verde, como para gerar equilíbrio de nematóides, bem como, pela sua raiz pivotante, contribuir na areação do solo e em tempo de sol intenso esse cultivo à margem do canteiro ajuda a sombrear as hortaliças.

Todas as técnicas desenvolvidas têm seu ápice no Processo de Formação pela Experimentação na Produção Agroecológica de Hortaliças e Frutas e sua continuidade garantida através do trabalho de assessoria técnica permante SASAC/PDHC. Os Sistemas de Produção Integrado e Sustentável-PAIS) foram implantado nos Assentamentos através da parceria com SEBRAE, Fundação Banco do Brasil e Secretaria de Inclusão e Desenvolvimento Social do Estado de Sergipe.

As práticas motivaram também o aumento de Organizações de Controle Social, ou seja, a concessão de registros como produtores orgânicos pelo MAPA (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento), o Sertão Sergipano já possui 05 OCS’s, sendo que duas delas foram concedidas já esse ano, sendo, uma que envolve os agricultores citados nessa Matéria (OCS São Judas Tadeu) e uma outra com a Associação de Mulheres Resgatando Sua História na Comunidade Lagoa da Volta em Porto da Folha. Com este trabalho agricultores/as estão aptos a comercialização em feiras agroecologicas municipais e na capital do Estado.

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