PROCESSO DE SISTEMATIZAÇÃO MANEJO DA CAATINGA
ASSOCIAÇÃO CULTURAL RAÍZES NORDESTINAS – ACRANE
PROJETO DOM HELDER CÂMARA – SDT/MDA – Governo Federal
1. Atividades com Crianças e Adolescentes
OFICINA: RECONHECENDO A BELEZA DE SEU LUGAR – O ESPAÇO ONDE MORA
Local onde se realizou a Oficina: Assentamento N. Sra. Aparecida – Faz. Lago das Areias – Monte Alegre/ N. Sra. da Glória-Se
Data: 18 de Setembro/2011
METODOLOGIA:
A oficina foi realizada a partir da contação de histórias dos mais velhos para os mais novos, história de vida, assim reunimos:
- D. Josefina, trabalhadora assentada que participou de toda luta do Assentamento, desde o movimento de acampados;
- Seu Carlos Soares de Menezes – Carlinhos: agricultor participante da Formação pela Experimentação em Manejo da Caatinga.
PRA COMEÇAR CELEBRAMOS COM FESTA O ANIVERSÁRIO DE 05 ANOS DE VITÓRIA, NASCIDA EXATAMENTE NO DIA DA SUPOSTA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL E COM ESSE NOME EXPLENDIDO DE VITÓRIA.
Depois disso D. Josefina contou a história do Assentamento, toda luta dos acampados e os primeiros dias nessas terras; seu Carlinhos contou um pouco sobre a vegetação predominante no Assentamento, Vamos ver como foi tudo???
D. Josefina começou a historia nos localizando no ano de 1987, quando um grupo de 25 agricultores sem terra, ocuparam essas terras com a disposição para fazer dela o seu lar, o lugar de onde retirariam o sustento para suas famílias.
Nessa época o grupo que tinha o apoio da Igreja Católica, especificamente citado o Pe. Gregório, um padre Belga, que até 2011 viveu na cidade de N. Sra. da Glória, faleceu em 03 de janeiro de 2011. O padre ajudava com cestas básicas e a organizar o povo em grupos, “cada um tinha o seu emprego”, como disse D. Josefina, havia uns que cuidava da mata, para não haver desmatamento, coisa muito comum nas áreas ocupadas, aproveitadores e até os fazendeiros adentravam as matas e retiravam toda a madeira, antes da desapropriação; outro grupo cozinhava para os trabalhadores e todos vigiavam pela vida uns dos outros. Não era fácil, os barracos de lona, de dia eram muito quente, a noite muito frio, por isso eles se revezavam, ora uns iam pra suas casas e os guardiões da terra e da vida passavam a ser outros.
A ida pra casa era assustada e difícil, segundo D. Josefina a carga dela era, dois filhos pequenos, ela e o esposo numa bicicleta, cortando o caminho até sua casinha há aproximadamente 10 km dali, “eu caia demais passando pelos riachos e pedras” diz ela, que, pra quem não há conhece, tem uma deficiência na perna (uma perna mais curta). Por ai vai a história de D. Josefina, descrevendo sua casa de taipa, a falta de tudo e no momento seguinte o sofrimento da luta pela terra, os atropelos e o desfecho positivo quando em 1989 ela e mais 23 famílias foram considerados Assentados e aquelas terras foram desapropriadas e ai a vida muda e a terra traz a tranquilidade da casa, a produção e a segurança de um futuro para os filhos.
A primeira criança a nascer no Assentamento foi o Titico, de Carmosa, ainda nas lonas, ele é exatamente do 1987, mas ele não faz parte do nosso grupinho, já é um menino grande, nessa sala todos nasceram aqui, a exceção de D. Josefina, ninguém passou pelo sofrimento que a luta de trabalhadores rurais acampados gera, mas todos consideram uma CENA linda, a história de D. Josefina e de alguns dos seus pais, por que ela sugere que temos capacidade de superar desafios e conquistar A TERRA PROMETIDA, mas não queremos viver a mesma história, A VIDA PODE E DEVE SER MAIS FÁCIL pra quem está no campo e pretende viver dele, daí é que é importante preservar a terra que temos.
Seu Carlinhos fez uma relação da vegetação que ainda resiste nesse Assentamento, apesar de, mesmo tendo sido guardião da mata contra outros predadores, alguns agricultores, após Assentados se tornam predadores também.
A Aroeira, a umburana, baraúna, mororó, umbuzeiro, araticum, araçá, jiquirizeiro, quixabeira... o tatu, o nambu, o gato do mato, cachorro do mato, peba, preá, lagarto, raposa, cotia, soinho e algumas coisas trazidas e plantadas recentemente, como: o angico de caroço, o cedro, compõe a fauna e a flora desse Assentamento. No geral houve um desmatamento muito grande das áreas e só recentemente as pessoas começaram a fazer alguma coisa, mas pra recuperar o processo é lento, uns se educam, outros ainda levarão tempo para educar-se.
CANTAMOS A MUSIQUINHA: “Essa é uma história de uma catenga que subiu o morro para procurar o rabinho que perdeu, você também é um pedaço, um pedação do meu rabão”... construindo com as crianças o rabo da catenga e discutindo os mecanismos de defesa dos animais, seus instintos de sobrevivência.
Nos primeiros anos do Assentamento muitos agricultores venderam seus títulos de posse da terra, sobraram apenas 5, dos 24 que foram assentados, felizmente as famílias que compraram, são famílias agricultoras que têm todo o direito de permanecer nela, que vivem dela, mas se é assim... a desapropriação precisaria ter sido pra esses, Daniela ressaltou: “Terra de Reforma Agrária não é negócio”. “Não se pode ficar ocupando terra, para vendê-la depois, o direito a terra é para produzir nela e viver com dignidade”; desde cedo precisamos entender isso.
DAÍ, para ilustrar como não é interessante dizer: Eu quero terra pra produzir e vendê-la, cantamos a musiquinha do CAMALEÃO: “Eu conheço muita gente que parece um camaleão, com a cabeça diz que sim e com o rabinho, diz que não...” ilustrando com a dancinha, como o grupo ainda estava muito tímido para as descontrações puxamos a música da cobrinha, pra que todo mundo rebolasse um pouco: “A cobra não tem mão, a cobra não tem pé, como é que a cobra anda se arrastando pelo chão, estica, encolhe, seu corpo é todo mole”.
Mas e essa terra que temos e essa vida nesse lugar e suas cenas, ameaçadas por tanto descuido e falta de cuidado é problema apenas dos adultos???
Conversamos com as crianças sobre a idéia de fazer a nossa parte pra preservar a beleza do nosso lugar, a boa vizinhança, o cuidado com o lixo nas matas, a proteção ao meio ambiente, utilizou-se a dinâmica de pegar uma balinha e jogar o papel no chão, depois observar como provocamos um problema na sala, recolher apenas o nosso papel e observar como se fizermos apenas a nossa parte, já fazemos muito, se ajudarmos os outros a também fazerem a sua ai teremos com certeza uma vida comunitária bem mais integrada ao meio, mas o importante é que: CRIANÇADA A CENA DESSE LUGAR SÓ SERÁ UMA BELA CENA, COM PERSPECTIVA DE UM FINAL FELIZ, SE VOCÊS FOREM PROTAGONISTA DELA.
A palavra do dia foi “DESTRESSAR” seu Carlinhos disse que para contribuir na educação de alguém as vezes o exemplo é a melhor coisa, porque se o “cara” só pede uma atitude diferente, como essa é uma geração de pessoas “Destressadas” as vezes rola uma briga na escola, porque você pediu a alguém para não jogar papel no chão. Fica a dica: PEDAGOGIA DO EXEMPLO e destressar é a mesma coisa que estressar.
VALEU TURMINHA. Nosso próximo encontro é um concurso, vale uma viagem à margem do “VELHO CHICO”.
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